sábado, 12 de julho de 2008

Por que "As histórias de Meaghan"?

Porque se faziam necessárias as mudanças.
Tenho outros projetos, outros sonhos e outras decepções.
A verdade é que pensei seriamente em excluir o diário eletrônico, mas seria injusto. É muito fácil apagar pessoas, se esquecer de compromissos. O compromisso aqui é desabafar. E o diário sempre foi uma espécie de melhor amigo.
Ele não lê, ele não me critica, mas serve de espelho. Auxilia na árdua tarefa de olhar para trás e melhorar.
Então apagar por quê?
Não sei. Existem momentos em minha vida quando penso que é melhor simplesmente desistir, sumir e começar de novo.
Então por que não apagar?
Sem querer plagiar a idéia de Joanne Rowling, mas existem momentos em que devemos fazer o que é certo, e não o que é mais fácil.
É mais fácil esquecer que eu tive momentos ruins, é mais honrado dizer que eu sou corajosa e eu não tenho meus problemas.
Eu sou uma autora anônima, mas não a sou. Eu sei que existe a possibilidade de que esteja alguém conhecido lendo tudo aquilo que escrevo, mas não sei se esse ou esses "alguéns" realmente lêem o diário. Pessoalmente? Creio que não. Há hobbies melhores.
Quanto aos leitores anônimos, bem... eu também creio que eles não existam. A idéia inicial de "Sol, chuva, lua e tempestade" era ser um diário eletrônico no qual eu pudesse escrever quando houvesse tempo e necessidade.
Não sou a pessoa mais ocupada do mundo, mas eu gosto de variar minhas leituras e hábitos e gosto de cultivá-los todos. Tempo é o reagente limitante da reação. Necessidade? Não. Eu preciso conversar com alguém, e preciso de alguém disposto a ouvir a verdade. O alguém? O diário.
Então, você é socialmente uma "loba solitária"?
Não, mas não acredito que as pessoas estejam interessadas em ouvir opiniões em um geral. Elas querem concordâncias. E eu não acho certo em agir como o lado ruim da consciência. Se tem algo errado, pode até ser certo tentar avisar, mas não tentar corrigir. Creio que o próximo post deixe bem claro o aspecto identidade e sociedade.
O blog se tratará de histórias?
Não. O blog tem a mesma função, mas creio que "as histórias de meaghan" seja um título mais apropriado a todas as facetas de autora. Meaghan foi um personagem criado há muito tempo, talvez 10 ou 12 anos (começo da adolescência), baseado em mim. Mês que vem completo 22 anos, a Meaghan na história em que foi enredada passou pelo período que acabei de passar, entre 18 e 21.
Quem é realmente Meaghan?
Meg, como eu e a criadora dela preferimos ou preferíamos nos referir, é um personagem de uma espécie de anime. Não sei se alguém já viu Sailor Moon, mas a idéia é essa. A Meaghan tinha uma aparência muito familiar à de Sailor Marte. A criadora de Meaghan era uma amiga minha da qual me distanciei devido ao destino. Era uma amiga muito querida e é uma pessoa de quem guardo muito boas lembranças, mas é alguém que creio que nunca lerá o blog, pois ela deve achar que não escrevo mais, assim como muitos pensam devido às minhas escolhas acadêmicas.
Enfim, como o parágrafo de cima falou mais da minha relação com a criadora da Meg, devo relatar sobre a Meg no que estou escrevendo. Meg tinha um irmão, Sam, um grupo de amigos, Nic, Ingrid (que era o personagem usado pela autora para se inserir na história), Melanie, Dylan, Vic e alguns outros. Não me culpem por não lembrar da história na íntegra, leitores. Nunca tive uma cópia das histórias de Meaghan (penso eu por não ser viável, visto que foram usados aproximadamente quatro cadernos de 96 folhas). Meg não era um personagem principal, a história possuía inúmeros personagens principais, assim como Sailor Moon, que em sua primeira temporada apresentou 7 personagens principais (Serena, Amy, Raye, Lita e Mina, Lua e Artemis), sendo elas as próprias Sailors, apesar de que com o passar da série, Sailor Moon acabou se concentrando na história de Serena e sua vida passada, mas resumindo Meg era um dos personagens principais com uma veia cômica.
A veia cômica de Meg, e talvez as amizades que comecei a formar na época de sua criação acabaram por definir a minha própria identidade. Não que eu tenha me esforçado para isso, mas Meg era uma projeção mais adulta de mim mesma, que acabou por retratar bem a imagem que possuo frente aos outros, mas também consegue penetrar um pouco mais nas perturbações internas que passam desapercebidas em um cotidiano frívolo.
Meg era uma garota engraçada, inteligente e inspirava lealdade. Não leitor, eu não estou nem um pouco perto de ser Meg, mas se eu pudesse escolher alguém para ser, provavelmente escolheria a personagem. Eu não sou inteligente, apenas esforçada. E eu não inspiro lealdade, na realidade, a lealdade parte muitas vezes de mim. Engraçada? Talvez um humor ácido, a la Chandler Bing (Friends), Lorelai Gilmore (Gilmore Girls) e irmãs Halliwell (Prue, Piper, Phoebe e Paige - Charmed), mas não me considero engraçada, me considero sarcástica.
Então eu pareço ser Meg?
Opa, agora você me pegou. Não sei. Creio que eu passo a imagem dela. Eu pareço muito forte e confiante, mas eu não sou nada disso, de novo, creio que o post seguinte conseguirá retratar melhor as coisas.
E Sol, Chuva, Lua e Tempestade?
Eles existem, mas eles são fazem parte de uma espécie de clã, uma tribo. Acho que as pessoas têm muitas facetas, se é que consigo me fazer entender. Depende de humor, depende de solidão, depende da posição do Sol em relação ao céu. Somos capazes de sermos camaleões, com Sol, Chuva, Lua e Tempestade, eu assumi esse fato. Eles não são independentes entre si, eles são complementares, eles se somam e resultam em mim, na imagem que eu tenho de mim mesma e na imagem que os outros têm de mim. São três coisas completamente diferentes e eu penso que isso acontece com todo mundo, faz parte do que se chama de profundidade psicológica.
Eu sempre escrevi, bem, não sempre, mas desde os 8 anos, assim como canto como hobbie desde os 9. E sempre fiz isso em momentos de solidão. Assim eu me sinto bem, natural, autêntica. Com os outros eu tento uma certa graça e um certo charme, visto que penso ter uma presença um pouco pesada (até mesmo físicamente falando!). Então é perfeitamente clara a razão de o blog ter a veia anônima. Eu faço essas coisas quando estou sozinha. Quando leio estou sozinha, quando canto também estou sozinha, ou me sinto assim. Canto, não cantarolo. Eu canto alto demais, borderline screaming, se é que consigo me fazer entender. Quando cantarolo apenas assumo que é necessário cantar, mas não aceitável.
Como eu não deleguei o blog a ninguém, e seria um absurdo fazer isso, Sol, Chuva, Lua e Tempestade continuam a permear no diário. Eles são a essência de tudo.
Por que mudar?
É necessário lidar com o velho, para crescer e se transformar em algo novo. O passado (Meg) faz parte do presente. O cor preta representa ausência de cor, o que pode levar a um entendimento de ausência de vida e de sentimento. Eu baseio a minha própria existência nessas coisas. A cor preta estava simbolizando um luto. Luto porque mudanças envolvem mortes. Foi a morte da minha adolescência. Eu aproveitei bem, para os meus parâmetros, todos os momentos. Eu me apaixonei, me decepcionei, fiz amigos, perdi alguns, conheci pessoas e lugares maravilhosos que me fizeram crescer, mas tudo isso de certa forma, morreu.
Eu ainda não fiz 22 anos, mas isso é uma questão de dias, sabe. 21 representa a maioridade, 22 não representa nada.
Por que morreu?
Eu passei por experiências que me fizeram enxergar tudo por uma ótica diferente. O crescimento adolescente morreu. Meus amigos, os lugares, as lembranças e meus amores continuam intactos, mas a visão que eu tenho deles hoje é muito distante daquela que eu tive um dia.
Aos 21 eu passei pelas piores experiências. Eu tive que olhar para dentro, para enxergar lá fora. De novo, o próximo post, meio tempestadelike, vai mostrar algumas coisas.
A minha infância não foi típicamente feliz. Eu sempre fui confusa e "de deixar" outros confusos. Durante a adolescência eu questionei, e depois eu entendi.
Eu fui uma criança, na maioria dos momentos, solitária. Eu guardo poucas memórias dos tempos de escola, e muitas das férias! Por quê? Era algo que eu precisava saber e entender para evoluir. Não creio que entendi completamente, mas aceitei.
Sendo uma criança só, eu sempre tive dó de outras que eram tão sós quanto eu. É difícil ver sua tristeza refletida nos olhos de alguém. Foi a época que eu mais passei por isso. Eu era uma criança não-verbal, não gostava de socializar, e por isso eu tive muitos colegas, mas nenhum amigo mesmo. Foi a época também quando ocorreu a morte da minha avó, que de todas as que tive um maior contato, foi a pior. Eu choro até hoje quando lembro da minha avó, por ser um misto de raiva por não ter conhecido a pessoa maravilhosa que ela foi muito bem (ela morava muito longe e era muito difícil meu pai poder levar a família para visitar meus avós, eu vi minha avó duas vezes, quando tinha 1 ano e cinco anos depois), tristeza por não ter uma avó para conversar e abraçar e um sentimento de incompletabilidade, que seria um neologismo meu. Quando você deixa de ter as experiências que quer, você se sente incompleto, não é mesmo?
Por ser uma criança só e não gostar das mesmas coisas que as outras, acabei por criar um mundo próprio e paralelo ao real e daí nasceu a vontade de escrever e de cantar.
Para se somar ao fato de ser diferente, eu era a "caçula da família" e me tiraram esse título. Na época, não gostei muito, mas a partir daí comecei a sentir uma necessidade de ser criança grande. De ser criança, mas de ser maior. Eu queria crescer para aprender mais e ensinar tudo isso.
Depois veio a adolescência, para equilibrar tudo aquilo que aconteceu na infância. Comecei a fazer amigos, a conhecer pessoas e olhar para os lugares, para as estradas.
Comecei a me conhecer, mas eu nunca me entendi muito bem, acho até que é por isso que eu escrevo. Para ler depois e pensar... nossa... entendi. As minhas melhores epifanias aconteceram quando eu estava lendo textos meus. Não porque eles são maravilhosos, bem escritos. Porque eu entendi algo de importante na hora de aplicar.
Acho que a palavra chave na infância foi identidade, na adolescência, confiança.
Quem é sozinho sabe do que eu estou falando. É muito difícil confiar nas pessoas. Contar seus pesadelos, seus sonhos. E isso acontece em decorrência da minha "síndrome da Távola Redonda". Eu idealizo. Eu sou idealista. Eu realmente acredito num mundo melhor. A realidade realmente consegue destruir isso. A realidade envolve uma profundidade psicológica que a idealidade não tem. A idealidade é um bonito castelo de areia, a realidade é uma onda no mar. São lindos os dois, mas não coexistem por muito tempo.
A realidade envolve erros de comunicação. Pessoas não entendem perfeitamente o que você pensa. Não entendem seus atos, nem intenções. Quem se magoa com isso? Você.
Então apenas concluindo o que deveria ter sido uma breve explicação.
Eu coloquei a cor branca para representar toda a vida que vem por aí.
Representa o medo do ano que vem por aí, as responsabilidades que eu quero assumir, os desejos realizados e por realizar, os amores que eu tenho, que eu tive, os que eu nunca vou ter, a esperança de ser cada vez melhor, de ser para os meus pais o que eles foram para mim, de algum dia ser uma boa amiga e companheira, a confusão permanente que se estabeleceu entre cabeça e coração, ações e habilidades, a intermitência da paixão pela vida.
Para representar o passado. Com suas desilusões e euforias.
Para representar a vida, como de fato ela é.

sábado, 21 de junho de 2008

O empata

O empata por definição seria aquele que consegue sentir o que os outros sentem.
Ele entende impressões, sentimentos e tudo aquilo que o ambiente a ele fornece.
O bom empata abraça um lado humanitário. Oferece ajuda àqueles que dela precisam. Os inconsoláveis.
Ele conhece as cores do luto, a profundidade da dor e, metafóricamente, as portas do inferno.
Para o lado ruim de seu dom, ele precisa de maturidade. Ele precisa saber quais são as dores dos outros e quais são as suas.
Sim, dom. Você leu bem.
Da mesma forma que ele conhece, não literalmente, as portas do inferno, também conhece as harpas dos anjos, o portal do paraíso.
Ele conhece a felicidade de uma mãe que acabou de ter um filho, de uma mãe orgulhosa, de uma criança puramente feliz.
Não vou falar do empata que não é bom. Negativismos se deixam para nunca mais.

How could I know?

You say I'm beautiful but you're more.
You're a sky I can't stop watching.
A show that never ceases to amaze me.

A world full of new.
A world that's never dull.

A world full of friendship,
A schedule full of events,
Your creativity just rocks my world.

With you I feel different somehow...
Life has a whole new meaning somehow...
I can't describe it, but it makes my soul lighter.

It's like a picture with a lots of colors,
You just feel that way and can't explain,
But when I'm with you, I don't see a reason why.

I can't express my feelings, because there aren't enough words for me.
You're the light in the middle of the night.
You make my fears go away.

Tomorrow always seems exciting somehow...
Thrilling like a roller coaster ride.

The world seems less real when I'm with you,
I wait for tomorrow,
I live today,
I just loved yesterday.

And if it was ever a dream, let me keep it, please.
Without it, I don't think I could hope the same way as today.

No reason...

She's the summer breeze I needed,
more than everything I ever looked for.

She's a life inside a bottle,
a life full of joy and love.

She's music that even the deaf can hear,
sweet meaningful melody.

She's my world, but doesn't know it.
She's my air, but doesn't know it.
Maybe she never really will.

She's so optimistic, everybody believes when she says
that there's no evil,
that one day we'll see peace,
that love will embrace us,
that there is a reason to live.

She's my world, but doesn't know it.
She's my air, but doesn't know it.
Maybe she never really will.

She's made impossible for me to live without her.
The smile, the look, the scent, the everything.

Her okays give me strength to move on...

She's my world, but doesn't know it.
She's my air, but doesn't know it.
Maybe she never really will.

She's innocent. She's my star. She's my everything.

Without her, I can't breathe.
Life turns grey.
My heart goes blue.
Meaning left me... when she walked through my door and said hi.

She's beautiful when she sleeps, and I don't know why.
I want her embrace so much, and I don't know why.
Maybe... I never really will.

terça-feira, 27 de maio de 2008

So much for a secret...

- Autora, creio eu que estás tentando sabotar o projeto inicial do diário eletrônico.
- Não! Como?
- Andaste comentando sobre o endereço.
- Oh... sim. Enganei-me, oras.
- Então se trata de auto-sabotagem.
- Ou não. O endereço é público, assim como o domínio!
- Autora...
- Tá bem, tá bem... mas eu acabei por esquecer que aquele papel era o que continha o endereço!
- Esqueceste? Como esqueceste? Tu marcaste aquilo, em primeiro lugar!
- Sim, eu sei. Eu não esqueci o endereço! Esqueci o papel onde tinha marcado!
- Pensas que minha vida é fácil? Além de toda a senhora reclamação que fazes de tempos em tempos, eu ainda tenho que agüentar teus esquecimentos!
- Não. Eu sei que não é fácil. E eu sei que eu deveria ter me lembrado disso, mas esqueci. Não adianta reclamar. E vai marcando aí que a trema vai sair de uso em 2009.
- Claro. Eu apenas publico. Tu escreves. E aquela pessoa sentada naquela cadeira lê tudo.
- Eu também leio!
- Sim, mas tu usas para alguma coisa.
- Concordo... mas e agora? Contei o endereço...
- Agora te assuma como és!
- Eu sempre fiz isso!
- Ok, autora... entendi que a Senhorita necessitará de mais alguns posts.
- Mas... eu...
- Entenda, queridinha.
- Queridinha, não. Você está sendo falso!
- Lógico! O trato era: o endereço se mantém em segredo, porém como todo segredo, será tratado de forma corriqueira. Tu não cumpriste o trato.
- Eu não assinei nenhum termo. Sinceramente, criei você e está sendo muito mal-agradecido.
- O hífen também cairá em 2009, autora!
- Problema dele! Sabe... entendi o seu problema.
- E posso saber qual foi a conclusão ridícula que tiraste de tudo?
- Talvez eu tenha praticado auto-sabotagem mesmo. Olha. Pensa comigo, são 4 pseudo-selfs apenas no título!
- Chuva, pára de me distrair.
- Certo, como você não está no título, você é imune ao meu charme.
- Não, não sou, mas cessa com isso. E eu não ESTOU no título, eu SOU o título.
- Você não é self! Você é o veículo!
- Estás falando comigo, não? Então eu me tornei um self! Eu sou o que tu queres que eu seja, e tu queres que eu seja um self!
- Não! Eu não quero!
- Te distraí, hein pequena?
- Eu não sou pequena! E eu posso ter dado o endereço sem querer, mas já foi, e não tem como voltar atrás.
- Tu não precisas ter medo dos leitores.
- Não é dos leitores que tenho medo, blog.
- É... deles em si não, mas das reações deles...
- Sim... eu tenho...
- Pensa... do pó vieste e ao pó voltarás... tranqüiliza!
- Nossa... que romântico!
- Sexy, diria a Tempestade!
- Shhh, ela tá dormindo...
- Só tu estás acordada!
- Eu sei, eu sei... mas é nesse horário que consigo pensar melhor. Quando o Sol não faz teatro, quando a Lua não arruma as coisas, para desarrumar depois, quando a Tempestade não começa a apertar todo mundo pela casa. Sabe... outro dia ela deu um tapinha na careca do pai dela! Ela anda maluca!
- Vós sois inversamente proporcionais. Quando mais melancólica tu te encontras, mais elétrica ela se projeta. Vós trabalhais como se se compensassem.
- Tipo o Sol e a Lua?
- Não... o Sol é inseguro. A Lua ajuda ele a ser inseguro, apesar de ninguém ver o que realmente existe de errado com ele.
- Ele é meio teatral, você não acha?
- Sim, mas a Tempestade também. Eles só pertencem a tipos diferentes de teatros.
- Hein?
- A verdade é que eu não vejo muita diferença entre o Sol e a Lua.
- Ah... eu vejo.
- Qual?
- O Sol quer que todos pensem que ele é forte, que ele não chora e que ele agüenta qualquer tranco, mas na verdade, ele é tão sensível quanto nós.
- È vero.
- Você fala italiano?
- Não. Eu lembro uma palavra ou duas.
- Quem ensinou?
- Eu sou teu monstro!
- Oh... monstro não!
- E agora um monstro que corre o risco de ser pego pela polícia, visto que tu deste com a língua nos dentes!
- Não fui eu...
- A Tempestade, aquela perua! Que seja! Só porque ela não posta com tanta freqüência!
- Tenhamos calma. Nada que tenha sido dito aqui, não foi dito de verdade.
- Ao menos!
- Tá, tá... mas o que podemos fazer agora?
- Nada. É deixar ler! Tu te endereças a um possível leitor no post, não?
- Siim! Entretanto há diferença. Agora eu tenho certeza da possibilidade de um leitor. Possibilidade que era remota!
- Do que tens medo?
- Ah... de muitas coisas. De altura, de carbonizar algum dedo, de...
- Ser incompreendida?
- Talvez...
- Não devias ter medo disso.
- Né? Já o fizeram por tempo bastante, não?
- Sim, mas porque deixaste. Tu sabes, ou pelo menos tens uma boa noção, do teu caráter, mas tens medo dele. O porquê, eu realmente não sei.
- Eu não consigo fazer nada pela metade, meu amigo.
- Sim, mas quando a intensidade encontra o exagero?
- Eu afundo...
- Devias conversar comigo mais vezes!
- Eu converso! Na minha cabeça eu converso...
- Isso foi controverso! Nós coexistimos numa mesma cabeça!
- Ahhhh... você me deixa louca!
- Eu sei... por isso adooooro essa vida!
- Hã... tá...
- Tu és intensa, sim e muito, mas muito exagerada. Tu não compreendes todo mundo, mas a tua vantagem é que desejas isso do fundo do coração. Só que, por vezes, tentas impor alguma coisa, mesmo que seja a vontade de manter uma opinião.
- Certo...
- Só que, tente seguir meus passos, sim?
- Sim.
- Quando asseveras de forma tão clássica e contundente a tua opinião, não seria como se tivesse impondo a mesma para o ouvinte?
- Sim, mas como eu vou conseguir me expressar em um meio-termo?
- Não sei, pequena! És a única que tem a chave.
- Aiai... tô sentindo que a chave está atrás do arco-íris.
- Não. Sabes que não. Qual é o único lugar que não conseguimos enxergar perfeitamente?
- Puts...
- Já foste Isabel, Camila, Meg e até mesmo João. Talvez João tenha dado uma melhor perspectiva...
- Sim.
- Procure naquilo que não foi dito, naquilo que só pode ser sentido. Tu conheces responsabilidade, sorte, esforço, abandono... não é vergonha ser assim...
- Ninguém quer ver isso.
- Sim e não. Tua imagem sarcástica chega a ser irritante por dias, é chato.
- Mas as pessoas não preferem ver isso?
- Você preferiria?
- Não estou falando de mim.
- Estás sim. Esse é teu mundo. Tua criação. O que queres ser? A menina com a resposta na ponta da língua? Não foi a menina quem conquistou isso tudo. Não foram as risadas todas. Elas ajudaram, mas quem cativou tudo isso foste tu.
- Isso é parte de quem eu sou!
- Não é, não! É parte do mecanismo de defesa. Assim como aquele sobre o qual conversamos.
- Qual?
- João e Isabel!
- Ah, tá.
- Se quiseres saber... eu prefiro... e tu também... aquela pessoa que vive sonhando, cantando, ouvindo, pensando sobre qual árvore seria melhor para imaginar durante uma sessão de relaxamento...
- Eu não gosto de sessões de relaxamento!
- Eu devia ter acabado na bronca sobre o endereço! Está tarde!
- Tá... mas eu não gosto muito de relaxar...
- Por quê?
- Porque eu fico triste, ué!
- Hum... não! Lembra da praia?
- A praia fria?
- Siiiim!
- Durante a noite ou durante o dia?
- Considerando que durante o dia, estavas com um olho no mar e outro nos peixes...
- Mais ou menos... depois que os peixes foram embora...
- Tá... essa fala foi inteiramente sem sentido, mas... continuando, tu gostas de relaxar, mas tu tens dificuldades em relação a isso, pois te concentras demais para relaxar, e o objetivo de relaxar não é esse.
- Sim... mas então eu devo deixar de pensar?
- Pensar não! De tirar conclusões precipitadas... isso apenas te irrita.
- A se pensar...
- Então... mas não precisas ter vergonha de nada, visto que todos erram. Lembra do Goodyear?
- Sim... mas...
- Serviu para alguma coisa, não?
- Verdade.
- Então... teu pai disse uma coisa, que eu concordei.
- Ai... qual?
- Tens um jeito de lidar com as pessoas. É só teu.
- Todos são assim!
- O intuito do diário não era falar dos outros!
- Nem me gabar!
- Não é elogio! É constatação, besta!
- Não precisa ofender!
- Preciso. Preciso dormir também, mas tu não permites!
- Conclui por favor, então! Daí vamos nós dois dormir!
- O fato é... tu detestas mentir, até mesmo quando precisas. Só mentiste recentemente...
- CONCLUI!
- Não existe necessidade de tentar ser quem não é. Tu trabalhas com criatividade e raciocínio lógico ao mesmo tempo! Não tem porquê afogar uma das duas características.
- Não?
- Elas trabalham juntas! Não se anulam!
- Ok... farei uso disso... mas o que tem a ver com mentira?
- Não sei! Eu trabalho com um jeito cíclico de pensar que na cabeça faz um sentido perfeito!
- Tá... você quer dizer que eu não preciso deixar de dizer tanta coisa, já que eu não gosto de mentir. É isso?
- Gostei do jeito que pensaste...
- Mentir não é omitir.
- Não, mas omitir está na metade do caminho. Não é certo esconder tudo de todos e depois jogar como se fosse uma torta na cara.
- Eu não escondo tudo!
- Justo. Só o que consegue, o que achas que ninguém apreciará.
- Sim...
- É um mecanismo de defesa, mas que não se provou muito efetivo. Ou erro?
- Hoje você está acertando todas...
- Eu sei... aliás... a árvore é cerejeira, mas no pensamento é uma cerejeira enorme, perto de um rio que se localiza entre duas montanhas.
- Isso foi golpe baixo!
- Ninguém mandou contar o endereço!

Carta à fugitiva

"- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...
(...)
Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar.
- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Quis, disse a raposa.
- Mas tu vais chorar! disse o principezinho.
- Vou, disse a raposa.
- Então, não sais lucrando nada!
- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.
(...)
E voltou, então, à raposa:
- Adeus, disse ele...
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...
- Eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar." (O Pequeno Príncipe - Antoine de Saint-Exupéry)

Cara Isa,

Primeiramente peço desculpas pela imensa citação, mas não consegui encontrar palavras próprias para iniciar minha resposta.
Sim, porque eu acredito que tenho o direito de resposta, apesar de não nos encontrarmos em uma sessão de debate pré-eleições.
Não quero ofender. Ao invés disso, tentarei trabalhar ponderadamente ao longo da minha simples escrita.
Admiro sua sensibilidade, exagerada, egocêntrica e talvez agora, empática.
Sabe... você não me cativou em primeiro momento. Você parecia lunática. Olhando para o céu, com seus olhos grandes, esbugalhados. Demorei para descobrir que esses olhos mirando alto, eram sinais de sonho, que eram sessões de pensar.
Entretanto, apesar de tanto refletir, nem sempre chegou a conclusões corretas, principalmente quando se tratou de sentimento. Não quis me julgar, mas julgou.
Tratou-me como se insensível fosse.
Francamente. Eu sempre me importei com você, mas na sua demasiada teimosia, nunca conseguiu ver o que eu sempre quis mostrar.
E quantas coisas eu quis mostrar.
Você precisava de palavras. Eu uso ações.
E o estranho é que, aqui sentado, eu percebo o quanto erramos. Eu uso ações, mas também quero palavras.
Sempre achei que palavras se perdessem, mas agora percebo o quanto me enganei, pois não são todas as palavras que se perdem.
Qualquer palavra que causa sentimento, marca.
Você queria palavras, mas devia ter acreditado que todas as vezes que beijei sua testa enquanto dormia, eu queria dizer que amava você.
Eu queria palavras, mas devia ter aceitado todos os abraços que você me deu quando cheguei cansado do trabalho, e devia ter entendido ali o significado da sua afeição.
Agora eu choro, porque sinto sua falta, mas não choro porque perdi sua companhia.
E eu sei que você chora porque percebe a seqüência infindável de erros que cometemos até aqui, mas ambos sabemos que é tarde.
É tarde para revivermos o que passou, mas é cedo para recomeçarmos.
Recomeça-se sempre e a partir daqui desejo uma boa vida.
Um amor perene. Um homem que a ame como eu amei e mais, mas que a compreenda, melhor e mais rápido do que eu consegui compreender.
E a somar com isso um aprender.
Aprender que aquilo que é essencial, não é visto com os olhos, mas com o coração.

Continue sonhando, mas se lembre de tudo aquilo pelo qual somos responsáveis.

Adeus,
João.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

A vida (Clarice Lispector)

Há momentos na vida em que sentimos tanto
a falta de alguém que o que mais queremos
é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la.

Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes
não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.

O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.