terça-feira, 27 de maio de 2008

Carta à fugitiva

"- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...
(...)
Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar.
- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Quis, disse a raposa.
- Mas tu vais chorar! disse o principezinho.
- Vou, disse a raposa.
- Então, não sais lucrando nada!
- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.
(...)
E voltou, então, à raposa:
- Adeus, disse ele...
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...
- Eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar." (O Pequeno Príncipe - Antoine de Saint-Exupéry)

Cara Isa,

Primeiramente peço desculpas pela imensa citação, mas não consegui encontrar palavras próprias para iniciar minha resposta.
Sim, porque eu acredito que tenho o direito de resposta, apesar de não nos encontrarmos em uma sessão de debate pré-eleições.
Não quero ofender. Ao invés disso, tentarei trabalhar ponderadamente ao longo da minha simples escrita.
Admiro sua sensibilidade, exagerada, egocêntrica e talvez agora, empática.
Sabe... você não me cativou em primeiro momento. Você parecia lunática. Olhando para o céu, com seus olhos grandes, esbugalhados. Demorei para descobrir que esses olhos mirando alto, eram sinais de sonho, que eram sessões de pensar.
Entretanto, apesar de tanto refletir, nem sempre chegou a conclusões corretas, principalmente quando se tratou de sentimento. Não quis me julgar, mas julgou.
Tratou-me como se insensível fosse.
Francamente. Eu sempre me importei com você, mas na sua demasiada teimosia, nunca conseguiu ver o que eu sempre quis mostrar.
E quantas coisas eu quis mostrar.
Você precisava de palavras. Eu uso ações.
E o estranho é que, aqui sentado, eu percebo o quanto erramos. Eu uso ações, mas também quero palavras.
Sempre achei que palavras se perdessem, mas agora percebo o quanto me enganei, pois não são todas as palavras que se perdem.
Qualquer palavra que causa sentimento, marca.
Você queria palavras, mas devia ter acreditado que todas as vezes que beijei sua testa enquanto dormia, eu queria dizer que amava você.
Eu queria palavras, mas devia ter aceitado todos os abraços que você me deu quando cheguei cansado do trabalho, e devia ter entendido ali o significado da sua afeição.
Agora eu choro, porque sinto sua falta, mas não choro porque perdi sua companhia.
E eu sei que você chora porque percebe a seqüência infindável de erros que cometemos até aqui, mas ambos sabemos que é tarde.
É tarde para revivermos o que passou, mas é cedo para recomeçarmos.
Recomeça-se sempre e a partir daqui desejo uma boa vida.
Um amor perene. Um homem que a ame como eu amei e mais, mas que a compreenda, melhor e mais rápido do que eu consegui compreender.
E a somar com isso um aprender.
Aprender que aquilo que é essencial, não é visto com os olhos, mas com o coração.

Continue sonhando, mas se lembre de tudo aquilo pelo qual somos responsáveis.

Adeus,
João.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

A vida (Clarice Lispector)

Há momentos na vida em que sentimos tanto
a falta de alguém que o que mais queremos
é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la.

Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes
não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.

O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.


sábado, 24 de maio de 2008

O blog e a casa dos segredos

Enfim, dediquei uma parte de meu tempo para ler o mapa astral do presente blog, e porque não dizer, até mesmo comparar esse mapa ao meu.

Caso o leitor se lembre, o primeiro post se deu às 6:14 pm do dia 25 de janeiro de 2007, ou seja, essa foi a primeira vez que ele deu "as caras no mundo" por assim dizer. O que em termos astrológicos significou Sol em Aquário, Lua em Touro e Ascendente em Câncer. O que me chamou a atenção foi um Sol em detrimento, uma Lua exaltada. A mesma Lua regente do mapa.

O Sol na casa dos outros, Mercúrio, Vênus, Urano e Netuno na casa dos segredos, na casa do renascimento, ou morte para os pessimistas.

Um mapa com concentração no lado direito. Com apenas a Lua no lado esquerdo, e um Saturno em Leão.

Interessante a "alta concentração" na casa dos segredos... principalmente para um blog que vive em segredo... mas esses poderiam ser alguns mistérios de um Vênus regente na casa XII... quem disse que Vênus também não tem espaço para escrever?

Bem... existe sempre quem escreve relendo posts antigos... recordar também pode ser crescer... espera-se...

sexta-feira, 23 de maio de 2008

O monólogo conversa...

- Lua! Lua!!!! - gritava Sol incessantemente enquanto revirava alguns velhos livros.
- O que é? Qual é o grilo dessa vez? - respondia a Lua em tom sonhador.
- Grilo? Não tem grilo! O negócio é o seguinte, Lua! Você viu meu livro?
- Sol! Não mexo mais nas suas coisas... principalmente depois daquele...
- Daquele pequeno incidente, no qual o SENHOR jogou TODOS os cadernos da Lua pela janela! - completava Tempestade em seu usual tom irônico.
- Olha aqui, Tempestade, não começa! Eu só estou perguntando! Inocentemente, calmamente... - tentava prosseguir o Sol, ao mesmo tempo em que tentava lembrar alguns advérbios mais.
- Inquisitóriamente... ou seja lá como se fala... - entrava a Chuva no recinto.
- Vocês estão sempre contra mim! Qual o problema de vocês? - declamava o Sol, em tom altamente teatral e exagerado.
- Enfim, Lua... você viu o livro? - perguntava Tempestade, ao mesmo tempo em que desenhava algo em um pedaço de papel.
- Eu vi. - respondeu a Lua. - Eu vi sim, mas não peguei!
- Olha... sem querer interromper o teatro de todos vocês, mas... não é aquele ali em cima da mesa? - indagou a Chuva com o intuito de distrair os demais.
- Ah... não Chuva... não é... eu queria aquele que tem uma capa branca, com a lateral vermelha, que tem o mesmo nome da nova novela das seis... - contava o Sol, com um tom brando.
- Ah, mas tenha dó, cara! Eu... - irrompeu Tempestade.
- Não é aquele ali perto da janela? - interrompeu a Chuva novamente.
- Chuva! Pare com esses disparates! Não tem livro perto da janela! - tentava ralhar a Lua.
- Hã... gente... desencana... sabe o que é? - falava o Sol desajeitadamente - Eu emprestei esse livro para minha mãe!
- Então, Sol... você só está perdendo meu tempo! Com sua licença, eu vou dormir, que eu ganho mais! - bradava Tempestade enquanto se encaminhava até o quarto.
- Bem, Sol... vou voltar a estudar então. Tenho uns cinco resumos para essa semana, e pretendo terminar três hoje, para daí fazer mais dois amanhã e escrever algumas coisas no resto da semana. - despediu-se a Chuva.
- Bem, Lua... desculpe-me... - começou o Sol, arrependido.
- Tudo bem. Eu sei que às vezes me intrometo onde não devia... - consolava a Lua.
- Agradeço por estar sempre aí pra mim gata! - brincava o Sol.
- Pra você, sem grilos... estou sempre maior aí! - respondia a Lua.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Maio...

(Kid Abelha)

"Maio
Já está no final
O que somos nós afinal,
Se já não nos vemos mais
Estamos longe demais... longe demais...

Maio
Já está no final
É hora de se mover
Prá viver mil vezes mais
Esqueça os meses,
Esqueça os seus finais... esqueça os finais...

Eu preciso de alguém
Sem o qual eu passe mal
Sem o qual eu não seja ninguém
Eu preciso de alguém..."

Quem sou eu? Quem é você?

Dir-te-ei somente que sou a escritora semestral, ou anual, ou mensal.
Não possuo um português polido, mas o tenho honesto, reto, digno, livre.
A escritora de sorte. Aprendeu a ler, escrever e quem sabe um dia compreenderá as nuances que transcorrem e transbordam pelo caminho.
A parábola linear. A senoidal apenas crescente.
Sou o impossível dentro do possível.
O limite, a sorte, o amor. A alegria triste, a tristeza alegre, a tempestade calma e a garoa raivosa.
O Sol forte, o Sol doente.
A filha do Sol. Sol pai e Sol mãe.
A sinceridade indireta. A mentira verdadeira e a verdade mentirosa.
O amor. Sim, o amor mais uma vez, e quantas vezes forem necessárias.
O amor que derruba, o amor que sustenta, o amor que chora, o amor que ri, o amor que queima e inunda.
A coerência incoerente.
O maniqueísmo sofre de uma super-multi-lateralidade.
A linearidade de uma vida se depara com o paradoxo intrínseco de uma personalidade apaixonada, inquisidora, sentida, amada, abandonada, amarga, crítica.
A mulher que chorou ao nascer do Sol porque sentiu que aquele seria o começo de uma nova era. Chorou de saudades. Sorriu.
Sabia que sua querida vida paralela era perene, e enfim surgiu a confiança no raiar do novo dia.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Enfim...

“Há um olhar que sabe discernir o certo do errado e o errado do certo. Há um olhar que enxerga quando a obediência significa desrespeito e a desobediência representa respeito. Há um olhar que reconhece os curtos caminhos longos e os longos caminhos curtos. Há um olhar que desnuda, que não hesita em afirmar que existem fidelidades perversas e traições de grande lealdade. Este olhar é o da alma... A alma, diferentemente da definição popular, é nada mais do que o componente consciente da necessidade de evolução, a parcela de nós capaz de romper com os padrões e com a moral. Sua natureza seria, portanto, transgressora e “imoral”, por não corroborar os interesses da moral”. (Nilton Bonder - A alma imoral)